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Encontro com Silvio Corrêa

Crônicas e contos do cotidiano.

Archive for the ‘Uncategorized’ category

Vaso, doce Vaso
por Silvio T Corrêa

14.2.2010

Algumas vezes, os filmes me causam um espanto absurdo e não estou usando qualquer figura de linguagem, mas exprimindo o meu verdadeiro sentimento.

“Chamar o Raul”, ou o “Hugo”, certamente, é uma expressão conhecida por quase todos. Seja por já ter chamado o digníssimo ou por ter presenciado alguém chamá-lo, principalmente no final de uma noitada. Mas isso não importa muito, pois o que interessa nesse texto é o local onde o “Raul” é chamado.

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Girico e as ideias.
por Silvio T Corrêa

8.2.2010

O pai gostava tanto — e usava — do dito “ideia de jerico”, que acabou colando o nome de Girico no primeiro filho. E aí, já arranjou uma encrenca com o sujeito do cartório, que se recusava a registrar a criança com nome de Jerico.

— Mas jerico significa asno! O senhor não pode querer que seu filho seja chamado de asno ou jumento! Não posso concordar com isso.

— Se o senhor pode ou não, eu não sei. Não é um problema meu. O nome do meu filho será Girico. Pode escrever aí: G – I – R – I – C – O.

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Um Livro para o Haiti
por Silvio T Corrêa

5.2.2010

Desde o relançamento do “We are the World”, tenho pensado bastante na possibilidade de um livro para o Haiti.

Cheguei mesmo a cogitar com algumas pessoas ? que não se interessaram. Bem, na verdade, não é que “não se interessaram” ? acharam a ideia muito boa ?, mas não queriam batalhar pela efetivação.

Realmente dá trabalho ? e muito! Eu acho.

Um Livro para o Haiti seria um livro de crônicas com foco nos temas de superação, cotidiano, esperança, vida, paz… Enfim, temas que enriqueçam o espírito de leitores e “negritem”, dentro de cada um de nós, as expressões “amor ao próximo”, “solidariedade” e “humanidade”.

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Um Labirinto e uma História
por Silvio T Corrêa

12.1.2010

Pois é. Essa história conta, com muito humor, sobre a vida em um labirinto imaginário. Sei, lembraram que alguém já fez o mesmo?

Sim, fizeram. E achei a ideia tão bem bolada que me apropriei do labirinto para contar uma nova história.

Lá a vida pulsa tanto quanto no nosso mundo, mas ainda é tudo incipiente. Estão, agora, começando a se desenvolver e, aparentemente, tomaram como base o mundo dos homens.

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Verso do Adverso
por Silvio T Corrêa

19.3.2008

(saindo da zona de conforto)

— Ah! Cheguei lá e fui logo procurando pelas comunidades brasileiras!

É comum ouvirmos essa declaração de pessoas que viajaram ao exterior, especialmente para países onde o espanhol — nesse, o pessoal até arrisca — e o português, em especial, não sejam a língua nativa.

O benefício da adversidade, que é o ganho de conhecimento; o exercício da comunicação; a vivência de valores regionais; a troca de informações e o crescimento como ser humano, não ficou nem em segundo plano. Ele não existiu! Ficou perdida a chance de valorizar a própria existência.

Quando geramos contatos, quando participamos de simpósios, congressos e feiras, quando queremos fazer negócio, precisamos procurar nos relacionar com o contrário, buscando o verso do que nos parece adverso, sair da nossa, famosa, “zona de conforto”! Só assim ganharemos bagagem profissional e cultural.

Aliás, não sei se fugir à adversidade, é uma mania da maioria do povo brasileiro, mas somos insistentes nessa característica. Veja só: “Ah não! Aquele ali é muito diferente de mim. Não dá pra fazer negócio com ele!”; “Que chato! Esse pessoal só conversa sobre trabalho! — Você vai a um determinado congresso e queria que eles conversassem sobre o que? —; “O cara é “muito” — ou “pouco” — pra mim. Não vai dar pra conversar!”. São expressões corriqueiras, também, na vida social.

Que ninguém se engane ao pensar que quem chega ao topo é porque a vida lhe sorriu, apenas. A vida nos entrega oportunidades e, normalmente, oportunidades adversas. Tem um ditado, verdadeiro para mim, que diz algo parecido com: “A importância de caminhar não é a chegada, mas o próprio caminho.” Muito verdadeiro!

São tantos exemplos que a natureza nos dá, mas acredito que o mais emblemático, nesse caso, seja o da borboleta rompendo o casulo adverso. É desse esforço, que suas asas ganharão forças para alçar vôo.

Não adianta procurar receitas, pois elas não existem. Nunca existiram, nunca existirão! Só a experiência do dia-a-dia, lhe trará a experiência e a sabedoria causada pela adversidade. Lhe trará o verso do adverso! 

Só depende de nós!

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Se cativas …
por Silvio T Corrêa

10.3.2008

Seduzir, cativar, ganhar a simpatia, é sempre uma atividade gratificante. O convite para o café, o sorriso aberto, o elogio, tudo faz parte do “cativar”, do seduzir, e que acontece a todo momento, seja entre colegas, amigos, casais, pais e filhos.

Em comunidades então, é freqüente o ato, mais inconsciente do que consciente, de cativar.

Esse é o grande problema! E que fez com que a citação de Antoine de Saint-Exupéry “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.” —, se tornasse conhecida e citada ao vento de todas as direções.

Deixamos de perceber, por exemplo, que ao darmos um cartão de visitas, fazemos uma ação de cativar, de nos aproximar. É mais do que um pedaço de papel que estamos entregando. Estamos dizendo: “Olha, meu telefone está aqui! Me liga!”

Em comunidades do tipo condomínio residencial, é importante o ato de cativar conscientemente. Quando fazemos um bolo, um pão, e levamos ao nosso vizinho, estamos procurando ser cativantes, conquistar a simpatia. Precisamos participar para sermos cativantes e deixarmos que nos cativem.

Quando buscamos cativar, fica implícito que buscamos um relacionamento. Ao chamar alguém pra conversar, pra bater um papo ou tomar um chope, estou, naturalmente, me colocando a disposição pra conversar, pra tomar um chope. Não posso dizer: “Desculpe, eu chamei mas não posso ir.”

Não somos responsáveis, apenas, por aquilo que cativamos. Somos, também, responsáveis por aquilo que não cativamos. Se me sinto só, sou o responsável pelas amizades que não cativei.

Tão gostoso quanto cativar é perceber que estamos sendo cativados. É uma sensação muito boa, que massageia o ego e aumenta a nossa auto-estima. E as vezes vem de forma tão inesperada, que nos assustamos e ficamos sem ação, como estatuados.

Então, a ordem do dia é “cativar”. Cativar a esposa, a namorada; os filhos e enteados; o colega de trabalho que fica no final do corredor e que nunca falamos com ele; o vizinho, da esquina; o guarda noturno; o vigia e o zelador do prédio; o amigo que não vemos e não falamos há mais de 1 ano; o irmão, que a distância separou. Cativa, cativa sempre!

Eu, da minha parte, vou tentando cativar você.

Abraços

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Atuando em comunidades.
por Silvio T Corrêa

16.2.2008

Há décadas as pessoas atuam em comunidades e parece que nada aprenderam ou, então, atropelam os ensinamentos adquiridos e, cegos pela oportunidade do business, esquecem-se que qualquer negócio, financeiro ou não, da amizade ao casamento, da venda de um lápis ao fechamento de uma grande fusão, começa com um aperto de mãos; um “boa noite!”; um olhar; um café; um suco; uma água.

O relacionamento é a chave capaz de escancarar todas as portas à sua frente. Mas também tem a capacidade de trancá-las com sete chaves e mais alguns cadeados.

Depois de 12 anos atuando, como participante ou facilitador; em comunidades empresariais, de negócios ou de discussão; pela web, por e-mail ou até presencialmente, em processos de imersão; e nas mais variadas situações do cotidiano, acabo concluindo que poucos sabem cativar, manter e fazer prosperar  um relacionamento. Quando acontece, e não são poucas vezes, é por obra do acaso, e ainda que tenha igual validade, não foi uma opção consciente. Por opção consciente, me refiro ao desarme, de peito e braços abertos, sem qualquer discriminação ou prejulgamento.

Talvez digam que estou errado, que o relacionamento deve ser algo espontâneo, mas se deixarmos ao acaso, poucos florescerão.

Uma pessoa, por exemplo, não pode agir de uma maneira em uma comunidade, de outra maneira em outra comunidade ou ainda, ter comportamentos diferentes no ambiente virtual do ambiente presencial.

Em qualquer comunidade, quando chego, no mínimo me apresento para que todos saibam que estou ali e quem sou eu. A partir daí, é participar, pois não dá pra criar um relacionamento ficando escondido atrás da pilastra, ouvindo — ainda que possa estar aprendendo —, a conversa dos demais.

Claro, sou à favor de “cada um na sua”, no seu tempo, na sua opção! Sei que existem os mais tímidos, os que se sentem acuados por motivos variados. Existem também os mais afoitos, que entram “de sola”. Existem todos os tipos de figuras, em qualquer comunidade. No entanto, se você pretende crescer, criar coisas novas, através de uma comunidade, não pode ficar apenas absorvendo o que ela oferece. É preciso que seja, também, doador; doador de conhecimentos, doador de informações, doador de dúvidas. O crescimento da comunidade, acredite, também depende da sua doação.

O relacionamento sempre foi algo fantástico e ficou ainda mais após a internet. Ao mesmo tempo que a rede ampliou as possibilidades, permitiu, oferecendo o escudo do anonimato, que as pessoas disponibilizassem um lado, reprimido pelas regras de comportamento em sociedade — necessárias à nossa evolução como seres humanos —, mais “toma lá da cá” e “bateu, levou”, sendo as respostas, as posições, colocadas de pronto, sem qualquer ponderação.

Com o tempo esse comportamento foi modificando e começou a ficar entendido que o ambiente virtual, na questão comportamento,  é muito pouco diferente do presencial. Ao contrário, é mais difícil! Os cuidados precisam ser redobrados, tanto por parte do emissor como por parte daquele que recebe a mensagem. Não temos todos os sentidos trabalhando e a imaginação pode voar longe, nos levando à equívocos.

Bem, o assunto é longo e tanta gente já escreveu sobre ele, que eu paro por aqui.

Esteja em Paz!

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Palestrante ou Palestreiro
por Silvio T Corrêa

20.7.2006

(a idéia desse conto/crônicafoi tirada dos debates que ocorrem na Comunidade RHLista)

O convite é auspicioso! Impresso em cores, em forma de folder, divide os assuntos e os faladores do evento em páginas com guias coloridas, que permitem o encontro do tópico de interesse do convidado. Sim, eu disse convite! No entanto ele permite a entrada no evento mediante uma singela contribuição. Para assistir as palestras, bem … a história é outra, e o preço também. Mas deixemos esses detalhes de preços e pontos menos enobrecedores, de lado.

O primeiro assunto que chamou minha atenção foi o “Agro Business Espacial”. Trata-se de um projeto nacional e como tal, não passa de um projeto! Partindo de uma idéia de um grupo de crianças, seriamente intencionadas na sua tenra idade, um insight, “plim”, surgiu! “Por que não utilizar a experiência da plantação de feijão no espaço, para alavancar o projeto do Agro Business Espacial?! Um projeto genuinamente brasileiro!”

A divulgação do projeto será feita por ninguém menos que o próprio astronauta agricultor, aquele que lançou a pedra, desculpem, o feijão fundamental! É um assunto imperdível! Agricultores, engenheiros agrônomos, investidores e diversos profissionais, do mundo inteiro, são esperados na audiência.

Mas esperem! Não é só isso! Junto com a palestra você receberá, “inteiramente de grátis”, um sensacional “kit feijão”, composto de um saquinho esterilizado, um chumaço de algodão esterilizado e um grão de feijão preto, para que você possa sentir a mesma emoção, ainda que não esteja no espaço, de plantar e ver brotar o feijão fundamental.

Outro assunto, em destaque já na capa do convite, é a “Liderança de Quatro – Arrumando o Meião”. Tal título não causa espanto, já que o palestreiro é um famoso técnico-líder-bonzão, vitorioso no bolso e derrotado no título. Técnicas consagradas como: “não às mudanças”, “sente nos louros”, “liderança paternal”, “o poder dos mitos, mandingas e superstições”, serão agora, desvendadas e apresentadas sob uma roupagem moderna da administração científica do esporte “da bola nos pés”.

O lançamento de um complexo vitamínico será lançado durante a palestra: “Complexo vitamínico de A a Zidane”. O livro, do palestreiro, em queda acentuada de preço, será jogado aos montes para a platéia. Àqueles que conhecem o assunto, dizem que será uma palestra divertidíssima.

Na saída do evento, um lindo meião, com dispositivo automático de enrolar, permitindo que o usuário esteja sempre se agachando para ajeitá-lo, sem se importar com o que está acontecendo, será entregue a cada participante.

Mais três profissionais do esporte, aposentados, vão palavrear no evento voltado para administração e negócios. Devem falar sobre motivação, superação de limites ou algo parecido. Não me interessei por ler a descrição. Meu estômago já estava embrulhado, nem tanto pelos palestreiros e o conteúdo das suas falácias, mas principalmente porque pretendo ser, um dia, palestrante. Pode!!!!!!

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Pessoal, pra ser sincero, a idéia de fazer essa série de Crônicas do Cotidiano, “Meias Conversas ao Pé do Orelhão”, surgiu de uma casualidade, onde tive que ficar embaixo de um orelhão durante uma chuva rápida, daquelas de final de tarde, no centro de São Paulo.

Em certo momento percebi que estava escutando a conversa da pessoa que estava no telefone público colado ao que eu estava. Coisa chata, pensei eu! Além da chuva sou obrigado a ouvir a conversa dos outros! [ leia + ]

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O homem que achava que sabia demais
por Silvio T Corrêa

20.2.2006
José, homem de reconhecida, e rebuscada, fluência na língua nacional pelos colegas e, diga-se, também por si próprio, tendo em vista a prolixidade com a qual procurava se fazer entender, não era um homem com “papas na língua” e nem nos dedos, como todos que se acham bons oradores ou escritores.

Não cabe porém aqui tecer comentários elogiosos à expressão verbal do José e sim, contar sobre a sua – acho que não erro em dizer – prolixidade cognitiva. O homem era uma mistura de Barsa (que está voltando com força), Lello Universal, Aurélio, Enciclopédia do Carlos Zéfiro e anedotas de alguns humoristas sem graça que fazem da ironia uma ferramenta de acinte e deboche. Mas ora, José também não era perfeito! Estou de novo a me perder em considerações!

José pensava que detinha todo conhecimento, ou pelo menos era o que transparecia, já que não assumia erros, não reconhecia a mínima falha e era incapaz de dizer desculpe! Fosse nos dias de hoje, em plena de era dos relacionamentos, inclusive como base dos negócios, José seria escorraçado. Naquela época contudo, se muito havia para aprender, por todos, sobre os sentimentos de humildade e humanidade, quanto mais por José.

Narcisista do conhecimento e escorregadio como quiabo, José palestrava muito bem sobre os assuntos que lhe convinham em determinado momento, esquivando-se, lúbrico, daqueles que não se interessava ou então, provavelmente, não detinha o conhecimento e precisava de algum tempo para adquirí-lo, fazendo frente a pecha de “sabe-tudo”.

O homem se diz professor e eu fiquei, como diria um alfaiate, amigo meu, “pensando com os meus botões”. Professor de quê? O homem versava sobre todos os assuntos. É bem verdade que em muitas vezes o texto parecia tirado de uma tese de mestrado, considerando a quantidade de referências a autores outros, mas ainda assim, lá estava José marcando presença.

Mais pensativo eu ainda ficava ao imaginar o decorrer de uma aula de José. Eu o imaginava sentado atrás de uma mesa com uma palmatória à sua frente e com filete de líquido esverdeado a correr-lhe pelo canto da boca, esperava o primeiro deslize de um aluno! Nesse momento, José se afoga num misto de prazer e divindade, vibrando ao alto, para que todos vissem e pudessem aprender, a sua palmatória “do saber” e; “senhor do conhecimento”, descia, sem piedade, sobre o lombo do aprendiz, bradando que essa atitude era para o “bem”, para que o aluno entrasse, de supetão, na trilha do saber.

Pobre José! Pensa que sabe! Pensa que conhece! Esqueceu de “amar o próximo”! Arvorou-se de “senhor dos demais”! Certamente não aprenderá nessa vida!

Pobre José! Esqueceu que “o plantio é facultativo, mas a colheita é compulsória”!

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